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Especialista alerta para cuidados no início do ano financeiro.
A aprovação da Lei nº 15.179/2025, que instituiu o Crédito Consignado Digital do Trabalhador, representa uma das mudanças mais significativas nos últimos anos no sistema de crédito consignado no Brasil. A nova legislação promete modernizar a contratação de empréstimos com desconto em folha, aumentando a transparência e proporcionando liberdade de escolha ao trabalhador.

Mas, para especialistas, a novidade traz tanto oportunidades quanto riscos – especialmente neste mês de janeiro, tradicionalmente marcado por despesas sazonais que pesam no orçamento das famílias.  

O advogado Dr. Thacísio Rios, especialista em Direito do Consumidor e Direito Bancário, destaca que o novo modelo representa “um avanço importante na autonomia do trabalhador, que deixa de depender de convênios exclusivos firmados entre empresas e instituições financeiras”. No entanto, ele alerta que “a modernização tecnológica precisa vir acompanhada de educação financeira e fiscalização rigorosa, sob pena de transformar um facilitador em uma armadilha financeira”.   Isso porque, desde a implantação da nova modalidade de crédito, os números já demonstram impacto significativo no mercado:

• R$ 10,1 bilhões em empréstimos consignados foram aprovados pelo programa Crédito do Trabalhador, beneficiando cerca de 1,8 milhão de trabalhadores com carteira assinada no país até o início de maio de 2025.  

• A média dos contratos alcança cerca de R$ 5,4 mil por trabalhador, com parcelas médias de aproximadamente R$ 327,28, distribuídas em prazos médios de 17 meses.      

Janeiro: mês de alerta para as finanças  

Combinado a isso, Dr. Thacísio chama atenção para o início do ano é um período desafiador para os orçamentos familiares no Brasil. Além das despesas mensais rotineiras, muitos compromissos sazonais concentram-se em janeiro, como matrícula e material escolar dos filhos, pagamentos de IPVA, IPTU, seguros e outras taxas ou anuidades. Uma pesquisa recente mostra que 55% dos brasileiros estimam gastar até R$ 4 mil apenas com despesas típicas do início do ano, valor que pode ultrapassar a renda média mensal do trabalhador.  

Esses gastos sazonais representam um ponto de atenção para quem pensa em contratar crédito consignado neste momento. Por isso, o especialista ressalta que “o crédito não deve ser visto como renda extra, mas como um compromisso futuro. Sem planejamento, o trabalhador pode comprometer boa parte de sua renda futura com parcelas que somadas às despesas anuais deixem seu orçamento desequilibrado”.   Principais riscos apontados pelo especialista:

• Assédio bancário e ofertas abusivas via plataformas digitais;
• Contratos pouco claros ou sem informação adequada ao consumidor;
• Endividamento silencioso, especialmente entre trabalhadores com menor educação financeira;
• Falhas operacionais que podem gerar passivos para empregadores e prejuízos aos empregados.  

Dr. Thacísio reforça que, apesar da promessa de modernização, “a tecnologia não pode ser sinônimo de vulnerabilidade. O trabalhador precisa estar atento às condições contratuais e saber que empréstimo é um compromisso financeiro – não um recurso extra”.

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