Embora a Reforma Tributária ainda esteja em fase de transição, seus efeitos já são sentidos no dia a dia de micro e pequenas empresas em todo o país. Diferentemente de mudanças anteriores, o novo modelo de tributação sobre o consumo não se limita à substituição de impostos, mas exige transformações operacionais profundas, com impacto direto na precificação, na gestão financeira e no controle de dados. Para os profissionais contábeis, o momento exige atuação estratégica e preventiva junto aos clientes.
Com a convivência simultânea entre o sistema atual e o futuro – que inclui tributos como IBS, CBS e Imposto Seletivo — erros de gestão vêm gerando prejuízos silenciosos e corroendo margens de lucro. Segundo Glaudson Ferreira, especialista da GestãoClick, a falta de preparo neste momento pode custar mais caro do que a própria carga tributária no futuro. “A transição exige decisões baseadas em dados, integração de processos e acompanhamento contínuo”, alerta.
Entre os principais equívocos observados está a manutenção da precificação baseada no ICMS e no ISS, sem considerar a nova lógica do IBS e da CBS. A Reforma prevê neutralidade fiscal sistêmica, o que significa que alguns setores ou empresas podem enfrentar aumento de carga tributária. Sem simulações e ajustes técnicos, há risco de preços defasados, margens negativas e perda de competitividade – cenário que demanda atenção direta do contador.
Outro erro recorrente é confundir gestão financeira com gestão fiscal. Durante a transição, essa distinção se torna ainda mais relevante, já que a convivência de dois sistemas tributários pode gerar recolhimentos maiores no curto prazo e afetar o fluxo de caixa. Além disso, a tributação no destino, que passa a considerar a localização do cliente, exige controles mais detalhados por região, tipo de operação e canal de venda, sob risco de impactos inesperados nos resultados.
A não cumulatividade plena, embora prometa maior justiça tributária, só traz benefícios para empresas com controle rigoroso de compras, fornecedores e classificação fiscal. Sem esse acompanhamento, créditos deixam de ser aproveitados, comprometendo o caixa. O mesmo ocorre com a gestão de estoques, que deixa de ser apenas uma questão logística e passa a influenciar diretamente a formação de preços, a margem e o aproveitamento de créditos tributários.
No setor de serviços, os riscos também são elevados. O fim do ISS não elimina a tributação, mas a incorpora ao IBS, exigindo revisão de contratos e modelos de cobrança. Especialistas alertam que microempresas que não ajustarem seus contratos durante a transição podem absorver aumentos de custos sem perceber, reduzindo a rentabilidade.
Da Redação do Portal Dedução
