Possíveis efeitos desinflacionários tornam balanço de riscos mais equilibrado.
Em meio à guerra comercial, BC optou por mais flexibilidade. Com muitas dúvidas sobre a magnitude da desaceleração econômica global e seus efeitos sobre a inflação no mundo, o BC decidiu por deixar em aberto a possibilidade de novas altas. Assim, pretende acumular informações até a próxima reunião no dia 18 de junho. Vale notar, no entanto, que mesmo com o elevado nível de juros e um balanço de riscos mais equilibrado, as projeções do BC e da mediana do mercado não sugerem convergência para o centro da meta no horizonte relevante.
Projeções do BC recuam, mas convergência ainda distante. As projeções para o cenário de referência, que considera a trajetória de alta da Selic para um pico de 14,75% presente na pesquisa Focus, seguem acima da meta. Para este ano, o BC reduziu sua expectativa de 5,1% para 4,8%, e projetou 3,6% em 2026. Já as expectativas de mercado recuaram de 5,7% para 5,5% em 2025 e permaneceram em 4,5% em 2026.
Esperamos mais uma alta de 0,25 p.p., mas chances de encerrar o ciclo aumentaram. As atuais projeções de inflação, combinadas à conjuntura econômica, ainda sugerem que seja necessário que a Selic continue subindo a fim de promover a convergência da inflação. Por isso, mantemos nossa avaliação de uma última alta de 0,25 p.p. em junho. No entanto, a evolução do cenário internacional será crucial para definir o grau de confiança do comitê na convergência da inflação e poderá justificar o encerramento do ciclo na próxima reunião