Especialista detalha as alterações já em vigor e como elas influenciam o dia a dia dos trabalhadores, consumidores e empresas
O início do ano traz mudanças importantes no universo tributário, com impactos diretos no orçamento dos brasileiros. Entre as principais novidades está a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, que passa a contemplar quem recebe até R$ 5 mil mensais. A medida já começa a valer em janeiro.
Também entram em vigor ajustes relacionados à transição da reforma tributária sobre o consumo, revisões de alíquotas estaduais e municipais e alterações regulatórias que afetam setores essenciais, como energia, combustíveis e serviços básicos.
Segundo o advogado tributarista Eduardo Galvão, sócio do escritório Granito Boneli Advogados, essas mudanças afetam tanto pessoas físicas quanto empresas. “Para o trabalhador, o principal efeito é o aumento do salário líquido, com menos desconto de Imposto de Renda. Já as empresas precisam se adaptar a novas regras, o que pode impactar custos operacionais, contratos, preços e políticas de salários”, explica.
Apesar de não haver criação de novos impostos, Galvão ressalta que há mudanças relevantes na forma de cobrança. O destaque é o novo desenho do IRPF, que garante autorização total para quem ganha até R$ 5 mil e redução gradual do imposto para faixas superiores. A autorização da autorização impacta diretamente o valor líquido recebido pelos trabalhadores. Além disso, alterações nas taxas e tributos incidentes sobre a folha de pagamento podem influenciar benefícios, contribuições variáveis e negociações salariais ao longo do ano. “O efeito é direto e imediato. Mesmo fora do período de declaração, a isenção já aparece nos primeiros contracheques do ano, aumentando a renda disponível”, afirma.
Para quem trabalha por conta própria, o cuidado deve ser ainda maior. “Esses contribuintes são mais sensíveis às mudanças de enquadramento, regras de recolhimento e obrigações acessórias. A nova lógica do Imposto de Renda exige atenção para não perder benefícios ou cometer erros”, alerta Galvão.
Produtos
As mudanças tributárias e regulatórias também podem influenciar os preços de produtos e serviços essenciais, como energia elétrica, combustíveis e alimentos. Esses ajustes tendem a ocorrer de forma gradual, à medida que a transição da reforma do consumo avançada e os benefícios fiscais são revistos.
Diante do novo cenário, o advogado recomenda que os brasileiros revisem o orçamento, evitem o individualização excessiva, acompanhem os descontos na folha e reavaliem contratos e investimentos. “Esse momento pode ser uma oportunidade de reorganização financeira. A autorização do Imposto de Renda até R$ 5 mil permite quitar dívidas, formar uma reserva de emergência e planejar melhor o orçamento familiar”, destaca. Segundo Galvão, o maior erro é ignorar as mudanças. “Muita gente só percebe o impacto quando já afetou o orçamento, seja por descontos inesperados, aumento de custos ou perda de oportunidades de economia legal”, conclui.
