
Tecnologia prevê retenção automática do imposto no fluxo financeiro e pressiona sistemas de cobrança, faturamento e compliance.
A discussão sobre Split Payment tem sido abordada como “tema tributário”, mas, na prática, trata-se de uma mudança de infraestrutura digital: o imposto deixa de ser um cálculo “posterior” e passa a ser um evento de liquidação, executado no fluxo do pagamento.
Em linhas gerais, o Split Payment é um mecanismo que separa automaticamente a parcela do tributo no momento da transação, direcionando-a ao ente arrecadador, enquanto o valor líquido segue para o fornecedor. (conceito amplamente descrito em análises técnicas do mercado tributário e de tecnologia fiscal)
Como a tecnologia funciona (visão de arquitetura)
O modelo depende de três camadas operando de forma coordenada:
1) Camada fiscal (dados e documento)
- Um padrão de dados capaz de “descrever” a operação com consistência para cálculo/validação.
- O Serpro, por exemplo, descreve um modelo unificado de dados para padronizar documentos fiscais e suportar o ecossistema digital. (Serpro)
2) Camada financeira (liquidação)
- O ponto crítico é a liquidação do pagamento (Pix, cartão, boleto, transferências). É nesse instante que o mecanismo pode fracionar o valor e encaminhar as parcelas. (arquiteturas de meios de pagamento e arranjos financeiros; documentação técnica do setor de pagamentos)
3) Camada de orquestração (roteamento, conciliação e auditoria)
- Regras, roteamento, conciliação entre “pagou” e “documentou”, trilhas de auditoria e gestão de exceções.
- Estudos técnicos sobre a reforma descrevem plataformas digitais capazes de casar imposto “de saída” e “de entrada” em tempo real, funcionando como uma contabilidade de IVA baseada em transações e pagamentos. (estudos técnicos e materiais institucionais sobre a implementação da Reforma Tributária do consumo)
O que muda para o mercado de software
O Split Payment empurra o Brasil para um modelo “payment-driven compliance”, em que pagamentos, ERP e emissão fiscal precisam estar sincronizados. Na prática, isso exige:
- Integração de ERPs/emissores com regras e validações para garantir consistência entre pedido, documento fiscal e pagamento. (fornecedores de ERP e emissores fiscais; práticas de integração fiscal)
- Integração com intermediários financeiros (bancos, adquirentes, subadquirentes, PSPs) para executar o fracionamento no momento da liquidação. (arranjos de pagamento e participantes do ecossistema financeiro)
- Mecanismos de conciliação automática (tolerância a divergências, estornos, chargeback, cancelamentos e contingências). (boas práticas de conciliação financeira e fiscal)
- Observabilidade e trilha de auditoria (logs, carimbo de tempo, rastreabilidade ponta a ponta). (boas práticas de auditoria e observabilidade em sistemas críticos)
IA e detecção de risco (onde entra inovação adicional)
O ecossistema também abre espaço para analytics e IA na camada de risco, para identificar inconsistências e padrões de fraude em escala. Há materiais técnicos que citam aplicação de IA na análise de risco e detecção de fraudes dentro do arranjo. (Serpro)
Implementação: por que é gradual
Por ser uma mudança de infraestrutura (não só regra), fontes institucionais e técnicas apontam adoção gradual e tecnicamente segura, com implementação condicionada à maturidade dos fluxos e integrações. (fontes institucionais e materiais técnicos de implementação)
Checklist prático (100% tecnologia) para empresas
- Mapear jornadas de pagamento: Pix, cartão, boleto, links, recorrência, estorno/chargeback.
- Revisar arquitetura de integrações: ERP ↔ emissor fiscal ↔ gateway/adquirente/banco.
- Conciliação em tempo real: conciliar “documento emitido” vs “pagamento liquidado” vs “entrega/serviço”.
- Dados mestres e qualidade: produtos, parametrizações, cadastros e regras consistentes.
- Segurança e governança: segregação de acessos, logs imutáveis, LGPD, políticas de envio de dados.
- Gestão de exceções: contingência, rejeição, cancelamento, devolução, pagamento parcial e múltiplos meios.
Da Redação do Portal Dedução
