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Com a eleição, em segundo turno, do petista Luiz Inácio Lula da Silva, nestes domingo, 25/10, o mercado financeiro acordou em turbulência nesta segunda-feira, 26/10, com o Ibovespa operando em forte queda no primeiro pregão após após o resultado das urnas. O resultado contrário às expectativas que vinham sendo precificadas pelo mercado nas últimas semanas, provocou uma reação intensa dos investidores. Às 13h03 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira desabava 14,47%, a 175.466,12 pontos.

A dimensão do movimento chama a atenção diante do histórico de quedas do mercado acionário brasileiro. Levantamento da Elos Ayta mostra que a maior queda da série ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando o índice recuou 15,83%, em meio à crise financeira russa e à fuga de capitais dos mercados emergentes. A segunda maior perda foi registrada em 27 de outubro de 1997, com baixa de 14,98%, durante a crise asiática.

Dólar dispara

Por sua vez, após a vitória do petistas, o dólar disparou e subiu mais de 12% durante a sessão, a moeda americana avançava 9,17%, a R$ 5,451 na venda, por volta das 13h04. Se a valorização se mantiver até o fechamento, será a quinta maior alta diária desde a implantação do Plano Real, em junho de 1994, segundo levantamento da Elos Ayta.

A maior alta da série ocorreu em 15 de janeiro de 1999, quando a moeda americana avançou 11,10% em um único dia, em meio ao abandono do sistema de bandas cambiais pelo Banco Central e à adoção do regime de câmbio flutuante.

Tesouro Nacional

Também as taxas do Tesouro Nacional superam 2020 e têm a maior alta da série histórica. Com isso, o Tesouro amplia intervenção e anuncia recompra de títulos atrelados à inflação. A oferta abrange NTN-B com vencimentos em 2030, 2035 e 2050 e é a segunda recompra anunciada nesta segunda, depois da operação com prefixados pela manhã.

Também os juros futuros sobiram mais de 260 pontos-base

As taxas dos DIs, conhecidas também como juros futuros, dispararam nesta manhã de segunda-feira após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, surpreendendo o mercado.

Em função das oscilações, a B3 elevou, por meio de comunicado, todos os limites de alta das taxas dos DIs, em todos os vencimentos.

Em outra medida, o Tesouro Nacional informou nesta manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira.

Por outro lado, o Tesouro manteve o leilão de LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira.

Ao anunciar os cancelamentos, o Tesouro busca não estimular taxas ainda mais elevadas nos mercados de títulos e de DIs.

Perspectivas

Na noite de domingo, 25, profissionais consultados pela Reuters já haviam projetado um forte avanço das taxas dos DIs, em especial nos contratos com prazos mais longos, que refletem mais diretamente a perspectiva para a política fiscal.

No dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula, a taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a ceder mais de 130 pontos-base, em meio à euforia do mercado com a possibilidade de o senador vencer a disputa.

Por trás da euforia estava a leitura de que, com Flávio no Planalto, cresceriam as chances de um ajuste nas contas públicas. Como Lula venceu o segundo turno, garantindo mais um mandato, a curva a termo brasileira está enfrentando um forte ajuste de alta nesta segunda-feira.

Vamos continuar acompanhando o movimento do mercado financeiro nos próximos dias.

Fonte: InfoMoney

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