Falta de planejamento financeiro e controle do caixa ainda é um dos principais gargalos para a sustentabilidade dos pequenos e médios negócios no Brasil
O início do ano costuma ser encarado por empresários como um período de reorganização e definição de metas. No entanto, para muitas pequenas e médias empresas -PMEs, os primeiros meses acabam marcando o surgimento – ou o agravamento -de problemas financeiros que se estendem ao longo de todo o exercício. Levantamento do Instituto Locomotiva aponta que nove em cada dez PMEs brasileiras enfrentam dificuldades financeiras, cenário fortemente associado à ausência de planejamento e de controle estruturado do fluxo de caixa.
De acordo com Reginaldo Stocco, CEO da vhsys, plataforma de gestão voltada para micro e pequenos negócios, é comum que os empreendedores concentrem esforços em metas de faturamento e crescimento, mas deixem o planejamento financeiro em segundo plano. “Quando o caixa não é priorizado desde o início do ano, os impactos aparecem rapidamente, comprometendo a capacidade de honrar compromissos e investir no negócio”, afirma.
O contexto econômico também contribui para aumentar a pressão sobre o caixa das empresas. Dados da Serasa Experian indicam que quase metade das PMEs relata dificuldades de acesso ao crédito, o que torna ainda mais estratégico o uso eficiente dos recursos próprios e o acompanhamento rigoroso das finanças logo no primeiro trimestre.
Principais erros e como evitá-los
1. Falta de projeção do fluxo de caixa
Sem projeções realistas, muitas empresas tomam decisões sem clareza sobre a disponibilidade de recursos nos meses seguintes. A recomendação é trabalhar com previsões que considerem prazos médios de recebimento, despesas fixas, impostos e compromissos já assumidos, permitindo uma visão antecipada de eventuais apertos de caixa.
2. Mistura das finanças pessoais com as empresariais
A falta de separação entre contas da empresa e do empresário compromete a análise da saúde financeira do negócio. Além de dificultar o controle contábil e fiscal, essa prática impede uma avaliação precisa de custos, margens e capacidade de investimento, aumentando o risco de decisões equivocadas.
3. Orçamentos desatualizados em relação ao cenário econômico
Metas e orçamentos definidos no fim do ano anterior precisam ser revisados conforme as condições do mercado. Variáveis como juros elevados, retração do consumo, inflação de custos e mudanças tributárias podem alterar significativamente a realidade financeira da empresa já no primeiro trimestre.
4. Falta de acompanhamento contínuo do caixa
Controlar entradas e saídas de forma esporádica, sem indicadores ou ferramentas de apoio, reduz a capacidade de reação do gestor. O monitoramento frequente do fluxo de caixa permite identificar desvios rapidamente, ajustar despesas, renegociar prazos e corrigir rotas antes que o problema se torne estrutural.
Quando essas práticas são adotadas desde os primeiros meses do ano, a empresa ganha maior previsibilidade financeira, reduz o risco de endividamento e fortalece sua capacidade de planejamento ao longo do exercício.
“Começar o ano com o financeiro organizado não é apenas uma questão de gestão, mas de sobrevivência e competitividade. Empresas que conhecem bem o seu caixa conseguem atravessar períodos de instabilidade com mais controle e menos improviso”, conclui o executivo.
Da Redação do Portal Dedução
