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O Radar Setorial da Reforma Tributária da Omie identifica 26 dos 76 setores em situação de maior exposição à transição tributária, que ocorre a partir de setembro.

Em setembro de 2026, as micro e pequenas empresas do Simples Nacional deverão escolher entre manter o recolhimento unificado ou migrar para o regime híbrido, com segregação de tributos. A decisão afetará diretamente a competitividade de várias empresas, especialmente, as B2B,  a partir de 2027, início da vigência da CBS.

Em razão desse necessidade, a Omie,  líder em sistema de gestão (ERP) para PMEs, lançou o Radar Setorial da Reforma Tributária. O estudo mapeia a necessidade de adaptação dos setores econômicos ao novo sistema tributário com base nos fluxos financeiros reais (contas a pagar e a receber) de aproximadamente 4% do PIB nacional. A análise engloba cerca de 750 CNAEs, organizados em 76 divisões setoriais, com dados anonimizados e agregados setorialmente.

No modelo híbrido, negócios que atuam no segmento B2B passam a operar no regime de não cumulatividade, gerando créditos para clientes e apropriando créditos sobre insumos. Empresas que não se adequarem ao modelo correm o risco de perder competitividade ou comprimir margens de rentabilidade caso não revisem preços e fornecedores.

As sondagens indicam que 48% das PMEs não iniciaram análises estruturadas sobre a reforma e 63% dos escritórios contábeis não mapearam os efeitos nas suas carteiras de clientes. “O Radar traduz o comportamento financeiro real em um indicador de exposição. Isso oferece a contadores e empresários um ponto de partida concreto para priorizar onde a análise da transição é mais urgente”, afirma Felipe Beraldi, economista da Omie.

Estrutura do índice de exposição

O indicador varia de 0 a 100 e mede a intensidade do esforço de adaptação regulatória (ajustes contratuais, formação de preços e enquadramento). O índice é composto por três pilares ponderados via aprendizado de máquina (machine learning):

Fluxos financeiros

O que captura – Posição na cadeia produtiva (intensidade B2B) e capacidade de apropriação de créditos ao longo da cadeia de suprimentos.

Variáveis e leitura – Quanto maior a intermediação entre fornecedores e clientes B2B, maior tende a ser a exposição.

Sensibilidade da carga tributária

O que captura – Sensibilidade às novas regras de não cumulatividade e aos mecanismos de geração e apropriação de créditos.

Variáveis e leitura – Reflete os segmentos com maior probabilidade de aumento da carga tributária líquida, associados a baixa capacidade de captura de créditos ao longo da cadeia de valor.

Complexidade de adaptação

O que captura – Resiliência de caixa e grau de dispersão da base de fornecedores.

O que captura – Indica o esforço operacional e o nível de fricção associados à transição para o novo modelo tributário.

Setores mais expostos

A análise comparativa identificou 26 dos 76 segmentos em situação de elevada exposição, caracterizados por alta inserção em cadeias B2B e baixa capacidade de neutralizar a incidência tributária pelo aproveitamento de créditos. Esses 26 segmentos respondem por 14% do PIB, 10 milhões de empregos formais e somam 2 milhões de empresas ativas (excluídos os MEIs) — das quais 58% optam pelo Simples Nacional.

Além da indústria, o grupo concentra importantes atividades de serviços como:

“O Radar antecipa prioridades. Nossa preocupação é a sustentabilidade operacional das PMEs nesses setores mais expostos, o que exige o aprofundamento das análises antes da decisão de setembro”, conclui Beraldi.

Sobre o estudo e a metodologia – O Radar Setorial da Reforma Tributária é desenvolvido pelo Grupo de Estudos Econômicos da Omie. A unidade de observação é o CNAE, representado pela média estatística de dados agregados e anonimizados. O índice tem caráter setorial informativo e não constitui recomendação tributária ou contábil.

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