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O Brasil entrou em um ponto crítico – e silencioso – da sua dinâmica econômica.

Enquanto o consumo tenta reagir e o crédito segue pressionado por juros elevados, um dado chama atenção: o país atingiu 81,7 milhões de inadimplentes em março de 2026. É o maior patamar já registrado.

É nesse cenário que o governo federal se prepara para lançar um novo programa de renegociação de dívidas, com descontos que podem chegar a 80% e potencial para impactar diretamente o comportamento financeiro das famílias – e, por consequência, das empresas.

A proposta, que deve funcionar como uma nova versão do Desenrola Brasil, não é apenas uma medida social. É também uma tentativa de reequilibrar o sistema econômico.

E o mercado está atento.

Muito além do consumidor: impacto chega ao caixa das empresas

A inadimplência em massa não afeta apenas o indivíduo. Ela corrói o sistema como um todo.

Menos consumo significa:

Na prática, o ciclo se retroalimenta.

Para Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FECAP, o novo programa pode ajudar a romper esse movimento.

“O lançamento de um novo programa de renegociação é importante porque permite que as famílias reorganizem o orçamento e recuperem o poder de consumo, especialmente em um cenário de juros elevados e renda comprometida”, afirma.

Segundo ele, o efeito vai além do alívio individual.

“Quando o consumidor limpa o nome e reduz o peso das dívidas, ele volta a consumir de forma mais equilibrada. Isso movimenta o comércio, melhora a arrecadação e contribui para reduzir a inadimplência no sistema financeiro”, completa.

Como deve funcionar o novo programa

Embora os detalhes ainda não tenham sido oficialmente divulgados, a estrutura esperada inclui:

A lógica é simples: reduzir o custo da renegociação para estimular acordos em larga escala.

Mas há um ponto importante – e pouco discutido.

Renegociar não resolve o problema estrutural do endividamento.

O erro que se repete: sair da dívida sem mudar comportamento

Programas de renegociação aliviam o presente, mas não garantem o futuro.

Sem ajuste de comportamento financeiro, o risco de reincidência é alto.

E isso já é conhecido no mercado.

Por isso, especialistas defendem que o foco não deve estar apenas na negociação, mas na prevenção.

Cinco movimentos que fazem diferença real no controle financeiro

A experiência prática mostra que pequenas decisões têm impacto relevante ao longo do tempo.

Entre as principais recomendações estão:

Segundo Ahmed El Khatib, o problema muitas vezes não está em grandes gastos, mas na soma dos pequenos.

“Ao organizar o orçamento, o consumidor percebe que despesas recorrentes aparentemente pequenas podem comprometer uma parcela relevante da renda. Esse diagnóstico é essencial para mudar o comportamento financeiro”, explica.

Dívida caduca não é dívida resolvida

Outro ponto que gera confusão – e decisões equivocadas – é a diferença entre dívida caduca e dívida prescrita.

Quando uma dívida “caduca”, ela deixa de aparecer nos órgãos de proteção ao crédito após cinco anos. O nome volta a ficar “limpo”.

Mas isso não significa que a dívida deixou de existir.

“Mesmo após esse período, bancos continuam tendo acesso ao histórico por meio de sistemas próprios, como o SCR do Banco Central. Isso pode dificultar acesso a crédito e elevar taxas de juros”, alerta Ahmed.

Já a dívida prescrita ocorre quando o credor perde o prazo legal para cobrar judicialmente.

São conceitos diferentes – e com impactos distintos.

Para o contador e o empresário, o sinal é claro

O avanço da inadimplência e a criação de programas de renegociação não são apenas pautas de consumo.

São indicadores diretos de risco econômico.

Para empresas, isso exige:

Para o contador, amplia-se o papel de leitura estratégica.

Mais do que registrar números, será necessário interpretar movimentos do mercado, antecipar riscos e orientar decisões.

Da Redação do Portal Dedução

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