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A recuperação extrajudicial tem ganhado espaço no ambiente corporativo brasileiro como alternativa para reorganização financeira antes que empresas precisem recorrer à recuperação judicial ou enfrentem cenários de insolvência. Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial – Obre – indicam que esse mecanismo movimentou R$ 37,4 bilhões em renegociações em 2024, envolvendo cerca de 50 empresas, um crescimento de 385% em relação ao ano anterior.

O tema voltou ao centro das discussões após o anúncio do GPA – grupo responsável por marcas como Pão de Açúcar, que informou ao mercado ter fechado acordo com credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. Segundo fato relevante divulgado pela companhia, o plano envolve aproximadamente R$ 4,5 bilhões em obrigações financeiras sem garantia.

A empresa destacou que obrigações operacionais permanecem preservadas, incluindo compromissos com fornecedores, clientes, parceiros comerciais e obrigações trabalhistas. A estratégia busca manter a continuidade das operações enquanto o passivo financeiro é renegociado.

Instrumento jurídico cresce como alternativa à recuperação judicial

A recuperação extrajudicial permite que empresas renegociem dívidas diretamente com credores e levem o plano à homologação judicial, sem a necessidade de iniciar um processo completo de recuperação judicial.

A modalidade ganhou maior relevância após alterações introduzidas pela Lei nº 14.112/2020, que modernizou a legislação de insolvência empresarial e reduziu o quórum necessário para aprovação do plano – hoje possível com apoio de 50% dos credores.

Segundo Benito Pedro Vieira Santos, da Avante Assessoria Empresarial, a reestruturação empresarial deve ser tratada como uma estratégia contínua de gestão e não apenas como resposta a situações de crise extrema.

De acordo com o especialista, projetos de reorganização financeira bem-sucedidos normalmente envolvem três frentes principais:

Governança e transparência são fatores decisivos

Para Edgard Lemos Barbosa, sócio da Barroso Advogados Associados, a credibilidade da empresa perante o mercado é um dos elementos centrais para o sucesso de processos de recuperação extrajudicial.

Segundo ele, o restabelecimento da confiança de credores e investidores depende principalmente de dois fatores: transparência na condução do processo e cumprimento rigoroso das condições previstas no plano de reestruturação.

Auditoria ganha papel estratégico

A auditoria independente também se torna peça-chave em processos de reestruturação. Para José Augusto Barbosa, sócio da Audcorp Assessoria e Auditoria, relatórios auditáveis são fundamentais para garantir confiabilidade das informações financeiras e orientar decisões estratégicas.

Segundo o especialista, a análise técnica das demonstrações financeiras ajuda a identificar inconsistências, avaliar a real situação econômica da empresa e fortalecer a governança corporativa – fatores considerados essenciais para a retomada da competitividade e do crescimento.

Para empresas e profissionais da contabilidade, o avanço da recuperação extrajudicial indica uma mudança na forma de lidar com crises empresariais: cada vez mais organizações buscam soluções preventivas e estruturadas para reorganizar suas finanças e preservar suas operações.

Da Redação do Portal Dedução

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