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A reforma tributária já começou a mudar a rotina de empresas e escritórios contábeis, mesmo antes de sua implementação completa. No varejo, especialmente entre optantes do Simples Nacional, a mudança deixou de ser um tema de médio prazo e passou a exigir decisões estratégicas já a partir de 2026.

Isso porque o novo modelo de tributação sobre o consumo, que entra em transição a partir de 2027, substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela CBS Contribuição sobre Bens e Serviços e pelo IBS Imposto sobre Bens e Serviços. A lógica deixa de ser cumulativa e passa a seguir o princípio do valor agregado, aproximando o Brasil de um sistema de IVA.

Na prática, o impacto vai muito além da simplificação prometida. O que muda, de fato, é a forma de decidir.

Decisão tributária deixa de ser automática

Uma das alterações mais relevantes para empresas do Simples Nacional está no calendário de escolha do regime. A definição, que tradicionalmente ocorria no início do ano, passa a ser antecipada.

A primeira janela de decisão será aberta em setembro de 2026, com nova oportunidade em março de 2027. Nesse intervalo, o empresário terá que avaliar se mantém o recolhimento de CBS e IBS dentro do Simples ou se opta pelo regime regular, fora da guia única.

Esse movimento muda completamente a dinâmica da tomada de decisão e exige um nível de preparação que, até então, não fazia parte da rotina de grande parte das empresas.

Para o ambiente contábil, o efeito é direto: a escolha deixa de ser operacional e passa a ser analítica.

Contabilidade assume papel estratégico na reforma

Com a nova estrutura, decisões tributárias passam a depender de leitura detalhada da operação. Custos, fornecedores, margens e composição de receitas entram na equação.

No varejo, onde a formação de preço é sensível e a margem costuma ser pressionada, qualquer erro de avaliação pode comprometer o resultado financeiro.

Segundo Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Desenvolvimento de Software, especializada em gestão para o varejo farmacêutico, não há espaço para decisões padronizadas.

“Essa não é uma decisão simples e nem padronizada. Cada empresa tem uma realidade diferente, com estrutura de custos, mix de produtos e fornecedores próprios. No varejo farmacêutico, isso fica ainda mais evidente. Não existe uma resposta única sobre qual caminho é melhor”, afirma.

Nesse cenário, o contador passa a atuar como peça central na simulação de cenários e na orientação estratégica do empresário.

Novo modelo exige leitura profunda do negócio

A lógica do IVA traz a possibilidade de aproveitamento de créditos ao longo da cadeia. Em determinados casos, isso pode gerar ganho de eficiência tributária. Em outros, pode aumentar o custo efetivo.

Tudo depende da estrutura da empresa.

“O modelo deixa de ser simplificado. O varejista passa a precisar entender profundamente sua operação, desde a origem das compras até a formação de preço por categoria. Quem não fizer essa análise corre o risco de escolher um caminho menos eficiente tributariamente”, alerta Seleber.

No varejo farmacêutico, por exemplo, a complexidade é ainda maior. Medicamentos podem ter tratamento diferenciado, enquanto categorias como higiene e perfumaria tendem a seguir alíquotas mais próximas do padrão.

Isso exige ajustes não apenas tributários, mas também comerciais e de precificação.

Planejamento começa antes da obrigatoriedade

Apesar de a transição do novo sistema se estender até 2032, o momento de análise já começou.

Segundo especialistas, o maior risco não está na mudança em si, mas na falta de preparo.

“O empresário não precisa tomar uma decisão no impulso. Existe uma janela em setembro e outra em março de 2027. Mas quem se prepara com antecedência consegue tomar decisões mais seguras e estratégicas”, explica o executivo.

A orientação é clara dentro do mercado: a decisão deve ser construída com base em dados reais, com apoio da contabilidade e análise detalhada da operação.

Reforma muda o papel do contador no varejo

O avanço da reforma tributária consolida uma mudança que já vinha acontecendo no setor contábil.

O contador deixa de atuar apenas no cumprimento de obrigações e passa a ser protagonista na estratégia empresarial. A leitura tributária passa a influenciar diretamente preço, margem, competitividade e posicionamento de mercado.

Nesse novo cenário, antecipar cenários deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade.

Para o varejo, o recado é direto: a reforma ainda não começou oficialmente, mas o planejamento já está em curso. E, dessa vez, quem não fizer a conta antes pode pagar mais depois.

Da Redação do Portal Dedução

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