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 Levantamento da Heach Recursos Humanos aponta que a falta de poder decisório compromete engajamento e sucessão de lideranças
 
A diversidade avançou no discurso e na contratação, mas segue distante da tomada real de decisão dentro das empresas brasileiras, o que já começa a impactar diretamente a retenção de talentos e a formação de novas lideranças. É o que revela a pesquisa nacional “Diversidade sem Poder: quem entra, mas não decide”, conduzida pela Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção, com 1.250 profissionais de empresas com 100 ou mais colaboradores, entre os dias 2 e 31 de janeiro de 2026.

 O estudo mostra que 68% dos profissionais de grupos diversos afirmam participar de reuniões estratégicas, mas sem poder de decisão. Outros 61% dizem que suas contribuições raramente alteram decisões já tomadas, e 57% relatam que são consultados apenas para validar definições prévias. Na prática, a presença existe, mas a influência não, tornando um cenário que compromete o engajamento e acelera a desconexão entre talentos e organização.

 Além da limitação decisória, o ambiente organizacional ainda inibe o posicionamento profissional. Mais da metade dos respondentes (54%) evita discordar de líderes por medo de impactos negativos na carreira, enquanto 49% acreditam que expor problemas pode gerar retaliações veladas. Para 46%, medir palavras em reuniões estratégicas é uma prática constante. Esse contexto reforça o chamado “silêncio organizacional”, no qual os profissionais permanecem, mas deixam de contribuir plenamente.

 Para mensurar o acesso real ao poder dentro das empresas, a Heach Recursos Humanos desenvolveu o IDP – Índice de Diversidade com Poder, que varia de 0 a 100. O IDP médio nacional ficou em 52 pontos, indicando um cenário de inclusão parcial. Entre as dimensões avaliadas, o pior desempenho foi o de poder decisório real, com 47 pontos, seguido por segurança psicológica (49) e legitimação e visibilidade profissional (51). A coerência entre discurso e prática obteve 59 pontos, sugerindo que as empresas sabem o que comunicar, mas ainda enfrentam dificuldades para sustentar esse discurso nas decisões críticas.

 Um dos achados mais sensíveis para a estratégia de negócios está na liderança intermediária, etapa-chave para sucessão e retenção de talentos. Enquanto profissionais da alta liderança registram IDP médio de 67 pontos, o índice cai para 48 entre coordenadores e 50 entre gerentes. Analistas e especialistas apresentam IDP de 56, o que indica que a perda de influência ocorre justamente no momento de transição para cargos de maior responsabilidade, enfraquecendo o pipeline de liderança.

 Segundo Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, a falta de transferência real de poder cria um risco silencioso para as empresas: “Quando profissionais participam, mas não decidem, o engajamento se desgasta. A consequência gera frustração, mas, principalmente, o aumento do risco de perda de talentos e um vácuo na formação de lideranças futuras. A diversidade entrou nas empresas, mas o poder continuou concentrado. Sem rever estruturas decisórias, a inclusão se torna frágil e a sucessão, vulnerável”.

 O estudo também aponta que o poder permanece concentrado nos níveis hierárquicos mais altos e nos grandes centros econômicos, reforçando que o desafio é estrutural, e não apenas comportamental. Para a Elcio, o debate corporativo precisa avançar do acesso para a influência real. “Hoje, o principal gargalo não é mais quem entra na empresa, mas quem decide. Diversidade sem poder não se sustenta, e cobra um preço alto em retenção, inovação e continuidade do negócio”, conclui Teixeira.

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