Experiência e Excelência em jornalismo contábil, tributário e de negócios

Com o prazo final marcado para 29 de maio, a entrega do Imposto de Renda 2026 entra em sua fase mais crítica. E, como costuma acontecer nesse período, aumentam não apenas as declarações enviadas, mas também o risco de erros que podem levar contribuintes à malha fina.

Para profissionais da contabilidade, o momento vai além da operação. É quando o trabalho técnico se cruza com orientação estratégica, revisão de informações e prevenção de inconsistências que podem gerar impactos financeiros relevantes para pessoas físicas e empresários.

Levantamento da consultoria Forvis Mazars mostra que grande parte dos problemas enfrentados pelos contribuintes não está relacionada à tentativa de omissão deliberada, mas à falta de organização, cruzamento de dados e análise prévia das informações.

Erros simples que geram problemas complexos

Na prática, as falhas mais comuns continuam sendo recorrentes e, muitas vezes, evitáveis.

Entre elas, está a omissão de rendimentos, que ocorre quando o contribuinte esquece de declarar valores recebidos de bancos, corretoras ou fontes secundárias de renda. Com o cruzamento automático de dados pela Receita Federal, esse tipo de inconsistência é rapidamente identificado.

Outro ponto crítico são as divergências entre os valores declarados e os informes oficiais. Pequenas diferenças, muitas vezes causadas por arredondamentos ou falta de conferência, já são suficientes para gerar inconsistência automática.

Também seguem no topo da lista as despesas médicas sem comprovação, um dos principais motivos de retenção em malha fina. Gastos não dedutíveis ou sem documentação válida continuam sendo informados indevidamente.

Investimentos e bens exigem atenção redobrada

Nos últimos anos, com o aumento do número de investidores pessoa física, os erros relacionados a aplicações financeiras ganharam protagonismo.

Falta de apuração de ganho mensal, recolhimento incorreto de DARF e inconsistências entre posição e lucro declarado são algumas das falhas mais frequentes.

Além disso, a declaração de bens e direitos ainda gera dúvidas. Atualizar imóveis pelo valor de mercado, por exemplo, é um erro comum. A regra geral é clara: os bens devem ser informados pelo custo de aquisição, com atualização apenas em situações específicas, como reformas devidamente comprovadas.

Organização virou diferencial competitivo

Para Lívia Ferreira Nobrega, gerente sênior de Consultoria Tributária da Forvis Mazars, o principal ponto de atenção está na preparação antecipada.

“É fundamental conferir previamente todos os informes de rendimentos, revisar despesas potencialmente dedutíveis e avaliar, com antecedência, o modelo de declaração mais adequado. A adoção de controles contínuos e suporte especializado contribuem para reduzir riscos, evitar correções futuras e assegurar conformidade”, afirma.

Segundo a especialista, contribuintes com estrutura patrimonial mais complexa enfrentam desafios ainda maiores.

“Os principais riscos normalmente não decorrem de má-fé, mas da ausência de planejamento e organização. Movimentações relevantes sem documentação clara, classificações inconsistentes e decisões tomadas sem avaliar impactos fiscais são fatores que costumam gerar problemas”, explica.

Contabilidade como linha de defesa

Com o avanço da digitalização e o cruzamento de dados cada vez mais rigoroso por parte da Receita Federal, o papel do contador ganha ainda mais relevância.

Mais do que preencher declarações, o profissional atua como uma linha de defesa contra erros que podem gerar autuações, multas e retrabalho.

Nesse cenário, a recomendação do mercado é clara: antecipar a revisão das informações e evitar deixar o envio para os últimos dias.

Detalhes que ainda passam despercebidos

Mesmo com ampla divulgação das regras, alguns pontos seguem sendo frequentemente esquecidos pelos contribuintes.

Rendimentos de aluguel devem ser declarados tanto pelo proprietário quanto pelo inquilino. Já despesas com educação são dedutíveis, mas apenas quando relacionadas à formação formal, como ensino infantil, fundamental, médio, superior e pós-graduação. Cursos de idiomas, por exemplo, ficam fora dessa regra.

Prazo final exige atenção redobrada

Com a proximidade do dia 29 de maio, a tendência é de aumento no volume de entregas e, consequentemente, de erros por pressa ou falta de revisão.

Para o ambiente contábil, o momento é estratégico. É quando a atuação técnica se transforma em valor percebido pelo cliente.

Mais do que cumprir uma obrigação, a entrega do Imposto de Renda se consolida como uma oportunidade de orientar, corrigir rotas e fortalecer a relação entre contador e contribuinte.

Da Redação do Portal Dedução

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *