Faltando poucos dias para o encerramento do prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, milhões de brasileiros ainda não acertaram as contas com a Receita Federal. Dados atualizados às 6h27 do dia 26 de maio mostram que 33.092.299 declarações já foram enviadas, enquanto a expectativa da Receita é receber cerca de 44 milhões de documentos neste ano.
Isso significa que mais de 10 milhões de contribuintes ainda precisam entregar a declaração até o último minuto do dia 29 de maio. O cenário preocupa especialistas, principalmente pelo aumento do risco de erros, omissões e retenções em malha fina nos últimos dias do prazo.
Segundo Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, a reta final costuma concentrar os maiores problemas relacionados ao preenchimento. “Quem deixa para a última hora normalmente faz a declaração com pressa, sem revisar documentos e sem validar informações importantes. Isso aumenta muito o risco de inconsistências, perda de deduções legais e até retenção em malha fina”, alerta.
Mais de 1,4 milhão já estavam na malha fina
Outro fator que acende o alerta é o elevado número de retenções em malha fiscal neste ano. Segundo dados divulgados pela Receita Federal em 18 de maio, quando haviam sido entregues pouco mais de 25,3 milhões de declarações, 1.410.027 já estavam retidas em malha fiscal, o equivalente a 5,6% do total enviado naquela data.
Para Richard Domingos, o número demonstra o aumento da eficiência no cruzamento eletrônico de informações e reforça a necessidade de atenção redobrada. “A Receita Federal está muito mais rápida e eficiente na identificação de divergências. Hoje, pequenas diferenças entre os dados informados pelo contribuinte e aqueles enviados por empresas, bancos, planos de saúde e outras instituições já são suficientes para gerar retenção”, explica.
Segundo o especialista, parte desse cenário está relacionada ao fim da DIRF e à adoção de sistemas como eSocial e EFD-Reinf, que passaram a transmitir informações ao Fisco de forma contínua ao longo do ano. “Antes existia uma base anual única. Agora, os dados são enviados em diferentes momentos e por sistemas distintos, o que aumenta significativamente o risco de inconsistências entre as informações da fonte pagadora e as utilizadas pelo contribuinte”, afirma.
Em muitos casos, o contribuinte pode cair na malha fina mesmo tendo preenchido corretamente a declaração, caso a empresa tenha informado dados divergentes à Receita Federal.
Cuidados essenciais para quem vai declarar na última hora
Na reta final, especialistas recomendam que o contribuinte evite agir por impulso e faça uma revisão completa antes do envio. Entre os principais cuidados estão:
- Conferir todos os informes de rendimentos;
- Comparar valores com holerites e extratos bancários;
- Revisar despesas médicas e recibos;
- Validar dados de dependentes;
- Informar corretamente rendimentos de aluguel;
- Declarar investimentos e operações em bolsa;
- Conferir dados bancários para restituição;
- Revisar informações importadas pela declaração pré-preenchida.
Os dados da Receita mostram que 77,3% das declarações enviadas utilizaram o modelo pré-preenchido. Apesar da praticidade, Richard Domingos alerta que o sistema não dispensa conferência manual. “A pré-preenchida agiliza muito o processo, mas qualquer erro vindo da origem das informações será automaticamente importado para a declaração. O contribuinte continua sendo responsável pelos dados enviados”, destaca.
Perfil das declarações enviadas
Segundo os dados mais recentes da Receita Federal:
- 61,2% das declarações têm imposto a restituir;
- 21,4% têm imposto a pagar;
- 17,4% não possuem imposto devido;
- 55,2% optaram pelo modelo simplificado;
- 44,1% das declarações foram enviadas por mulheres;
- A média de idade dos declarantes é de 47 anos;
- 8,8% das declarações já entregues são retificadoras;
- 76% dos contribuintes utilizaram dados da declaração do ano anterior;
- Foram entregues 36.420 declarações finais de espólio;
- 35.270 contribuintes declararam saída definitiva do país.
Erros mais comuns seguem liderando retenções
Mesmo com o avanço tecnológico, os erros tradicionais continuam sendo os principais responsáveis pela malha fina. Entre os mais frequentes estão:
- Omissão de rendimentos próprios ou de dependentes;
- Despesas médicas sem comprovação;
- Divergências no imposto retido na fonte;
- Inclusão indevida de dependentes;
- Informações incorretas sobre aluguel;
- Falta de declaração de investimentos.
Quem deixar para depois pode enfrentar problemas
Além do risco de multa mínima de R$ 165,74 por atraso, deixar a entrega para os últimos momentos pode gerar dificuldades adicionais, como:
- Instabilidade ou congestionamento nos sistemas da Receita;
- Falta de documentos importantes;
- Menor tempo para corrigir erros;
- Maior risco de cair na malha fina;
- Atraso na restituição.
“Em 2026, a fiscalização está mais sofisticada e praticamente em tempo real. Por isso, o ideal é evitar correria, revisar cuidadosamente todas as informações e acompanhar o processamento da declaração após o envio”, conclui Richard Domingos.
